sábado, 13 de janeiro de 2018

Série mensal-Nov 2017-Comércio Internacional

Comércio Internacional de mercadorias
- Série mensal -
Período acumulado Janeiro-Novembro 2017 

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1 - Balança comercial
De acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com última actualização em 9 de Janeiro de 2017, no período de Janeiro a Novembro de 2017 as exportações de mercadorias cresceram em valor +11,0% face ao mesmo período do ano anterior (+5073 milhões de Euros), a par de um acréscimo das importações de +13,8% (+7704 milhões de Euros).
As exportações para o espaço comunitário (expedições) registaram um aumento de +9,1% (+3168 milhões de Euros), ao mesmo tempo que as exportações para os países terceiros cresciam +16,9% (+1904 milhões de Euros). Por sua vez, as importações de mercadorias provenientes dos parceiros comunitários (chegadas) aumentaram +11,1% (+4814 milhões de Euros), com as importações originárias dos países terceiros a crescerem +23,6% (+2891 milhões de Euros).
Na sequência deste comportamento, o défice comercial externo (Fob-Cif) aumentou +26,9%, ao situar-se em -12419 milhões de Euros (um acréscimo de 2631 milhões, cabendo 1646 milhões ao comércio intracomunitário e 987 milhões ao extracomunitário). Em termos globais, o grau de cobertura (Fob/Cif) das importações pelas exportações nos onze primeiros meses do ano desceu de 82,4%, em 2016, para 80,4%, em 2017.


A variação do preço de importação do petróleo repercute-se também, naturalmente, no valor das exportações de produtos energéticos. O valor médio unitário de importação do petróleo, que nos onze primeiros meses de 2016 se situou em 276 Euros/Ton, subiu para 349 Euros/Ton no mesmo período de 2017.


Para além da variação da cotação internacional do barril de petróleo, medida em dólares, a variação da cotação do dólar face ao Euro é também um dos factores determinantes da evolução do seu preço em Euros.

Se excluirmos do total das importações e das exportações o conjunto dos produtos “Energéticos” (respectivamente 11,5% e 7,0% do total no período de Janeiro-Novembro de 2017), o grau de cobertura (Fob-Cif) das importações pelas exportações dos restantes produtos passa, em 2017, de 80,4% para 84,5%, com o aumento do défice, em termos homólogos, a descer de +26,9% para +21,4%.

2 – Evolução mensal

3 – Mercados de destino e de origem
3.1 - Exportações

No período acumulado de Janeiro a Novembro de 2017, as exportações nacionais para a UE (expedições), que representaram 74,2% do total (75,5% em 2016), cresceram em valor +9,1%, contribuindo com +6,9 pontos percentuais (p.p.) para uma taxa de crescimento global de +11,0%. As exportações para o espaço extracomunitário, que representaram 25,8% do total em 2017 (24,5% em 2016), registaram um crescimento em valor de +16,9%, contribuindo com +4,1 p.p. para a taxa de crescimento global. 

Os principais mercados de destino das nossas mercadorias em 2017 foram a Espanha (25,2%), a França (12,5%), a Alemanha (11,5%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,2%), os Países Baixos (4,0%), a Itália (3,5%), Angola (3,3%), a Bélgica (2,3%), o Brasil (1,7%) e a China (1,5%), países que no seu conjunto absorveram 77,4% das nossas exportações.
Angola, o segundo mercado de destino das exportações para os países terceiros depois dos EUA, que vinha apresentando no passado recente sucessivos decréscimos em termos homólogos nas exportações da quase totalidade dos onze grupos de produtos considerados, registou nos onze primeiros meses do ano um aumento global de +25,2%, com decréscimos em três dos grupos, designadamente “Energéticos” (-11,4%), “Madeira, cortiça e papel” (-4,5%) e “Aeronaves, embarcações e partes” (-73,1%), principalmente barcos de pesca e outras embarcações para o tratamento de produtos da pesca.

Entre os trinta principais países de destino, os maiores contributos positivos para o ‘crescimento’ das exportações no período em análise (+11,0%), couberam a Espanha (+2.0 p.p.), França (+1,2 p.p.), Alemanha e EUA (+0,9 p.p. cada), Brasil (+0,8 p.p.), Angola e Países Baixos (+0,7 p.p. cada), e Itália e Provisões de bordo (+0,4 p.p. cada). O maior contributo negativo coube à Argélia (-0,3 p.p.), seguida de Moçambique (-0,1 p.p.).

O maior acréscimo no valor das exportações para o espaço comunitário (expedições), em termos homólogos, verificou-se em Espanha, seguida da França, da Alemanha, dos Países Baixos, da Itália, das Provisões de Bordo e do Reino Unido. Com menor expressão alinharam-se depois a Polónia, a Áustria, a Eslováquia, a Bélgica, a República Checa e a Eslovénia. O maior decréscimo coube à Irlanda.

Entre os Países Terceiros, os maiores acréscimos ocorreram nas exportações para os EUA, Brasil e Angola, seguidos da China, Taiwan, Provisões de bordo, Uruguai, Gibraltar, Líbano e Suíça.
Os maiores decréscimos couberam à Argélia, seguida da Venezuela, Moçambique, Líbia, Djibuti e Turquia.

3.2 - Importações
No período de Janeiro a Novembro de 2017, as importações com origem na UE (chegadas), que representaram 76,2% do total (78,0% em 2016), contribuíram com +8,6 p.p., para uma taxa de crescimento global de +13,8%.

As importações com origem no espaço extracomunitário registaram um acréscimo de +23,6%, representando 23,8% do total (22,0% no período homólogo de 2016), com um contributo para o crescimento de +5,2 p.p..

Os principais mercados de origem das importações nos onze primeiros meses do ano foram a Espanha (31,8%), a Alemanha (13,7%) e a França (7,5%). Seguiram-se a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,7%), a Federação Russa (2,4%), o Brasil (1,8%) e os EUA (1,4%), países que representaram no seu conjunto 77,9% das nossas importações totais.

Entre os maiores contributos positivos para o crescimento das importações (+13,8%) destacam-se a Espanha (+3,1 p.p.), a Alemanha (+2,2%), a Federação Russa e os Países Baixos (+1,0 p.p. cada). Seguiram-se a França e a Itália (+0,7 p.p. cada), o Azerbaijão e a China (0,4 p.p. cada), e a Arábia Saudita (0,3 p.p.).

Por sua vez, os maiores contributos negativos couberam a Angola (-1,1 p.p.), seguida da Irlanda e da Argélia (-0,1 p.p. cada).
Nas duas figuras seguintes relacionam-se os maiores acréscimos e decréscimos das importações com origem intracomunitária e nos países terceiros.



4 – Saldos da Balança Comercial
No período em análise, o maior saldo positivo da balança comercial (Fob-Cif) coube aos EUA (+1749 milhões de Euros), seguidos do Reino Unido (+1715 milhões), da França (+1662 milhões), de Angola (+1450 milhões) e de Marrocos (+520 milhões de Euros).
O maior défice, a grande distância dos restantes, pertenceu a Espanha (-7320 milhões de Euros), seguido dos da Alemanha (‑2862 milhões), da Itália (‑1678 milhões), dos Países Baixos (-1358 milhões) e da Rússia (‑1335 milhões de Euros).

5 – Evolução por grupos de produtos
5.1 – Exportações
Os capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2 Ξ SH-2) em uso na União Europeia, foram aqui agregados em 11 grupos de produtos (ver Anexo).
Os grupos com maior peso nas exportações de mercadorias, representando 80,4% do total no período em análise de 2017, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (15,5% do total, com uma taxa de variação homóloga de +11,0%), “Químicos” (12,7% e TVH +8,5%), “Agro-alimentares” (12,4% e TVH +8,8%) “Material de transporte terrestre e partes” (11,1% e TVH +15,1%), “Minérios e metais” (9,7% e TVH +17,1%), “Têxteis e vestuário” (9,6% e TVH +4,7%), e “Produtos acabados diversos” (9,4% e TVH +11,0%).
Registaram-se acréscimos em valor, em termos homólogos, em todos os grupos de produtos. Os maiores, em Euros, ocorreram nos grupos “Energéticos” (+830 milhões), “Máquinas, aparelhos e partes” (+780 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (+744 milhões), “Minérios e metais” (+725 milhões), “Agro-alimentares” (+512 milhões), “Químicos” (+508 milhões) e “Produtos acabados diversos” (+477 milhões).


5.2 – Importações
No mesmo período, os grupos de produtos com maior peso nas importações, representando 72,4% do total, foram “Máquinas, aparelhos e partes” (17,0%, com uma taxa de variação homóloga em valor de +15,9%) “Químicos” (16,2% do total e TVH de +8,4%), “Agro-alimentares” (15,3% e TVH de +9,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (12,4% e TVH de +13,0%) e “Energéticos” (11,5% e TVH de +35,7%).
Também nas importações se verificaram acréscimos em todos os grupos de produtos, sendo os mais significativos, medidos em Euros, os dos grupos “Energéticos” (+1928 milhões de Euros), “Máquinas, aparelhos e partes” (+1485 milhões), “Minérios e metais” (+1012 milhões), “Material de transporte terrestre e partes” (+902 milhões), “Agro-alimentares” (+862 milhões) e “Químicos” (+797 milhões de Euros). 


6 – Mercados por grupos de produtos
6.1 – Exportações
Entre os mercados de destino das exportações de mercadorias, a Espanha ocupou nos primeiros onze meses de 2017 a primeira posição em 8 dos 11 grupos de produtos com 25,2% do total, ocorrendo as excepções nos grupos “Calçado, peles e couros” (4ª posição), “Máquinas, aparelhos e partes” (2ª posição) e “Aeronaves, embarcações e partes” (6ª posição).

Seguiram-se no “ranking” a França (12,5%), a Alemanha (11,5%), o Reino Unido (6,7%), os EUA (5,2%), os Países Baixos (4,0%), a Itália (3,5%), Angola (3,3%), a Bélgica (2,3%) e Brasil (1,7%). Estes dez países cobriram 75,9% das exportações totais.
6.2 – Importações

Nesta vertente do comércio internacional, a Espanha ocupou o primeiro lugar em nove dos onze grupos de produtos, com 31,8% do total, sendo as excepções os grupos “Material de transporte terrestre e partes”, (2ª posição), depois da Alemanha, e “Aeronaves, embarcações e partes”, em que ocupou o 4º lugar, antecedida de Singapura, EUA e Brasil.
Seguiram-se a Alemanha (13,7%), a França (7,5%), a Itália (5,5%), os Países Baixos (5,3%), a China (3,0%), a Bélgica (2,8%), o Reino Unido (2,7%), a Rússia (2,4%) e o Brasil (1,8%). Estes dez países cobriram 76,5% das importações totais.



11 de Janeiro de 2018.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Comércio Externo de Angola 2015-2016 e Portugal-Angola 2000-2016 e Jan-Out 2017


Comércio Externo de Angola
(2015-2016)
Comércio Portugal-Angola
(2000-2016 e Jan-Out 2016-2017)

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1 – Nota introdutória
Neste trabalho é feita uma breve análise do comércio externo de mercadorias de Angola nos anos de 2015 e 2016, com base em dados estatísticos divulgados no "Anuário de Estatística de Comércio Externo-2016" editado pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola.
Estes dados, que se encontram em moeda nacional angolana, o Kwanza (AKZ), foram convertidos a Euros, tendo-se utilizado, no cálculo do câmbio médio anual AKZ/EUR nos anos em análise, tabelas de câmbio médio mensal publicadas pelo Banco Nacional de Angola.
Segue-se uma análise da evolução do comércio internacional de mercadorias de Portugal com Angola entre 2000 e 2016 e no período de Janeiro a Outubro de 2017.
2 – Alguns dados sobre o comércio externo de Angola
A economia angolana debate-se com uma acentuada e prolongada descida do preço do petróleo no mercado internacional desde meados de 2014, produto que representa cerca de 1/3 do seu PIB e mais de 90% das exportações do país.
2.1 – Balança Comercial
Em 2016, face ao ano anterior, as importações terão decrescido -43,3% e as exportações -13,2%, quando medidas em Euros.
O saldo da balança comercial, fortemente positivo, terá aumentado +41,3%, com um elevado grau de cobertura das importações pelas exportações (237,3%). 

2.2 – Importações e exportações de mercadorias
Os Capítulos do Sistema Harmonizado de mercadorias (SH), coincidentes com os Capítulos da Nomenclatura Combinada em uso na União Europeia, foram aqui agregados em onze Grupos de Produtos (Ver conteúdo em quadro anexo).
Em 2016, face ao ano anterior, as importações, medidas em Euros, decresceram -43,3%, apresentando quebras em todos os grupos de produtos. As importações com maior peso no total incidiram nos grupos “Produtos acabados diversos” (25,2%), “Máquinas, aparelhos e partes” (24,7%), “Agro-alimentares” (15,7%), “Químicos” (11,2%) e “Minérios e metais” (10,3%).

A quota de Portugal nas importações angolanas, calculada a partir das exportações (Fob) de fonte INE de Portugal convertidas a (Cif), representaram 11,3% do total em 2015 e 14,2% em 2016 (13,1% e 14,9% se calculadas em Kwanzas).
Ao nível de grupos de produtos, as maiores quotas em 2016 couberam aos grupos “Madeira, cortiça e papel” (43,4%), “Calçado, peles e couros” (29,8%), “Agro-alimentares” (26,0%), “Químicos” (21,7%) e “Têxteis e vestuário” (19,0%).
Do quadro seguinte constam os grupos de produtos desagregados por conjuntos de capítulos (SH), todos eles com taxas de variação homóloga em valor negativas.



No mesmo período, as exportações decresceram -13,2% em valor em termos homólogos (-4 milhões de Euros), descida assente nas exportações do grupo “Energéticos”, que pesou 93,0% no total em 2016 (94,1% em 2015), essencialmente constituídas por petróleo bruto. O segundo grupo de produtos com maior peso, 4,1% em 2016 e 3,4% em 2015, foi “Minérios e metais”, onde se encontram incluídas as pedras e metais preciosos e o ferro e suas obras.No mesmo período, as exportações decresceram -13,2% em valor em termos homólogos (-4 milhões de Euros), descida assente nas exportações do grupo “Energéticos”, que pesou 93,0% no total em 2016 (94,1% em 2015), essencialmente constituídas por petróleo bruto. O segundo grupo de produtos com maior peso, 4,1% em 2016 e 3,4% em 2015, foi “Minérios e metais”, onde se encontram incluídas as pedras e metais preciosos e o ferro e suas obras.

2.3 – Principais mercados de origem e de destino

Em 2016 Portugal ocupou a primeira posição entre os fornecedores de mercadorias de Angola, com 14,9% do total das importações, ultrapassando a China (12,5%), que em 2015 fora o principal fornecedor.
Seguiram-se os EUA (10,8%), a África do Sul (5,3%), o Brasil (5,2%, a Bélgica (5,1%) e o Reino Unido (4,1%). Com menos de 4% do total, alinharam-se a Noruega, Singapura, a Malásia, a França, a Coreia do Sul, a Alemanha, a Índia, os Emiratos Árabes Unidos, a Tailândia, os Países Baixos, a Turquia e a Rússia.
Este conjunto de países representou 85,4% das importações totais.


As exportações angolanas em 2016, centradas no petróleo, tiveram por principal destino a China, com 45,5% do total, tendo Portugal ocupado a 9ª posição, com uma quota de 3,2%. Outros países de destino foram, por ordem decrescente do seu peso, a Índia, os EUA, a África do Sul, Taiwan, as Bahamas, os Emiratos Árabes, a França, o Canadá, a Espanha e os Países Baixos. No seu conjunto, estes países absorveram 85,2% das exportações.

3 – Trocas comerciais de Portugal com Angola
      entre 2000 e 2016
Para as trocas comerciais de Portugal com Angola vão agora ser utilizadas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística de Portugal, com dados definitivos para os anos de 2000 a 2015 e provisórios para 2016.
3.1 – Balança Comercial
A balança comercial de mercadorias de Portugal com Angola é francamente favorável a Portugal, com um elevado grau de cobertura das importações pelas exportações. O saldo cresceu sucessivamente de 2000 a 2009, ano em que atingiu 2,1 mil milhões de Euros, para decrescer até 2013 (481 milhões de Euros). Após uma subida significativa em 2014, voltou a cair, para se situar em 692 milhões de Euros em 2016.

3.2 – Importações
As importações, centradas no petróleo, pouco expressivas entre 2000 e 2006, aparte uma quebra pontual em 2009 cresceram sustentadamente em valor até 2013, quando atingiram 2,6 mil milhões de Euros, para decaírem a partir de então, situando.se em 810 milhões de Euros em 2016.
O acréscimo em valor das importações verificado entre 2009 e 2013, ficou a dever-se a um aumento da quantidade importada, em conjugação com um acréscimo do seu preço até 2012. Em 2014, face ao ano anterior, ocorreu uma descida significativa em volume, a que se sobrepôs um decréscimo do preço até 2016.


3.3 – Exportações
As exportações cresceram sucessivamente entre 2000 e 2008, decaindo ligeiramente nos dois anos seguintes no decorrer do impacto da crise que abalou o mundo, para voltarem a crescer até 2014, ano em que atingiram 3,2 mil milhões de Euros, decaindo depois significativamente até 2016.


Nas figuras seguintes pode observar-se o ritmo de variação nominal anual das exportações em cada um dos grupos de produtos considerados, encontrando-se patente na generalidade dos grupos, o seu contributo para a quebra no crescimento global nos anos de 2009 e 2010, e a descida verificada nos dois últimos anos.
O único grupo em que se registou um crescimento em valor em 2016 foi o dos produtos “Energéticos”, constituídos principalmente por óleos para motores, mas também por líquidos para transmissões hidráulicas, óleos para engrenagens e “Jet-fuel”. 


4 – Trocas comerciais de Portugal com Angola no período
      Janeiro-Outubro 2016-2017
Os dados de base do Instituto Nacional de Estatística de Portugal utilizados na análise da evolução do comércio externo com Angola nos primeiros dez meses de 2017, face ao mesmo período do ano anterior, correspondem a uma versão provisória, para 2016, e preliminar para 2017.
4.1 – Balança Comercial
O saldo da Balança comercial de Portugal com Angola nos primeiros dez meses de 2017 registou um forte crescimento (+102,9%), na sequência de uma acentuada quebra das importações (-70,1%), a par de um crescimento das exportações (+32,8%), tendo o grau de cobertura das importações pelas exportações subido de 156,7%, em 2016, para 696,5%, em 2017.

4.2 – Importações
As importações assentam, em sua grande parte, no grupo dos produtos “Energéticos”, que representou 97,1% do total no período em análise de 2016 e 90,8% em 2017. Registaram uma acentuada descida em valor em 2017 (-72,1%), que se ficou a dever essencialmente a uma redução da quantidade de petróleo bruto importada (‑78,4%), apesar de um aumento do preço de importação (+31,0%), e também ao facto de não ter sido importado em 2017 propano liquefeito, que em 2016 atingira um valor de 10,9 milhões de Euros.

A grande distância, seguiram-se os grupos “Agro-alimentares” (3,1% do total em 2017), constituído principalmente por alimentos preparados para animais, peixe e café, “Máquinas, aparelhos e partes” (2,8%), com destaque para as máquinas e aparelhos para obras públicas, “Madeira, cortiça e papel” (1,9%), principalmente madeira serrada e em bruto, e “Minérios e metais” (0,6%), como ferro, alumínio, e suas obras.
4.3 – Exportações
Nas exportações destacam-se os grupos “Agro-alimentares” (25,8% em 2017), “Máquinas, aparelhos e partes” (24,8%), Químicos” (18,3%), “Produtos acabados diversos” (10,8%) e “Minérios e metais” (9,3%), que representaram no seu conjunto 87,2% do total em 2016 e 89,0% em 2017.
No âmbito do grupo “Agro-alimentares” sobressaíram as exportações de vinhos e bebidas alcoólicas, de leite e lacticínios, de carnes, de crustáceos e algum peixe congelado, entre outros, como gorduras e óleos, enchidos, conservas de carne e de peixe, crustáceos e moluscos, preparações à base de cereais, e preparações de produtos hortícolas e frutas.
O grupo “Máquinas, aparelhos e partes” inclui máquinas e aparelhos mecânicos e elétricos, muito diversificados, em partes praticamente iguais, com destaque para os quadros eléctricos, aparelhos telefónicos, máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades, fios e cabos eléctricos, refrigeradores e congeladores, grupos electrogéneos e conversores rotativos, transformadores eléctricos, aparelhos para interrupção, seccionamento e protecção de circuitos eléctricos, máquinas e aparelhos de elevação e para obras públicas, centrifugadores e aparelhos para filtrar ou depurar líquidos e gases, aparelhos de ar condicionado, bombas para líquidos, máquinas de lavar louça, limpar, secar, encher, fechar, rolhar garrafas, para empacotar mercadorias e para gaseificar bebidas, monitores, projectores e televisores, torneiras e válvulas, motores e geradores (excepto grupos electrogéneos), conjunto de máquinas e aparelhos que representaram mais de 60% das exportações deste grupo de produtos em ambos os períodos.


No grupo “Químicos” destacam-se os plásticos e suas obras, os produtos farmacêuticos, a borracha e suas obras, os sabões e preparações para lavagem. os produtos de perfumaria e de cosmética, os extratos tanantes, tintas e vernizes, e os adubos.
No grupo “Produtos acabados diversos” encontram-se incluídos produtos muito diversificados, principalmente móveis, mobiliário médico-cirúrgico, colchões, almofadas, candeeiros e outros aparelhos de iluminação, anúncios, tabuletas e placas indicadoras, luminosos, construções pré-fabricadas, Instrumentos e aparelhos de óptica, fotografia ou cinematografia, de medida, de controlo ou de precisão, instrumentos e aparelhos médico-cirúrgicos, produtos cerâmicos, vidro e suas obras, obras de pedra e matérias semelhantes, artigos de relojoaria, brinquedos e jogos.
No grupo “Minérios e metais” assumem maior relevância os metais, e dentre estes o ferro fundido, ferro ou aço e suas obras, o alumínio e suas obras, as ferramentas, artefactos de cutelaria, talheres e outras obras em metais comuns.
No quadro seguinte pode observar-se os grupos de produtos desagregados por Capítulos e conjuntos de Capítulos da Nomenclatura Combinada (NC-2/SH-2), cujo conteúdo se encontra definido em tabela anexa.



domingo, 17 de dezembro de 2017

Comércio Internacional de Vestuário (2000-2016)

Comércio Internacional de "Vestuário"
(2000-2016)
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1 – Nota introdutória
Neste trabalho os produtos do grupo “Vestuário” vão ser divididos em duas componentes: “Vestuário de malha” (Capº 61 da Nomenclatura Combinada) e “Vestuário não de malha” (Capº 62).

Entre 2000 e 2016 o peso da exportação do “Vestuário” no PIB desceu de 2,4% para 1,7%. 
O peso do “Vestuário” na importação global, tendencialmente crescente, que em 2000 representava 2,4% da importação global, atingiu uma quota de 3,3% em 2016.

Por sua vez, o seu peso na exportação global, que em 2000 era de 11,5% do total, decresceu até 2013, ano em que se situou em 5,4%, invertendo-se a tendência a partir de então, para representar 6,2% em 2016.


2 – Balança Comercial do “Vestuário”
A balança comercial do “Vestuário” é favorável a Portugal, com um elevado grau de cobertura das importações pelas exportações. O saldo comercial reduziu-se  sucessivamente entre 2000 e 2009, de 2034 milhões de Euros para 497 milhões, invertendo-se a tendência a partir daí, para se situar em 1086 milhões de Euros em 2016.
Entre 2012 e 2016 a taxa de variação média anual das importações foi de +6,4% e a das exportações de +5,7%.
Considerando o período alargado 2000-2016, as importações cresceram, em termos nominais, à taxa média anual de +3,8% e as exportações decresceram à taxa de -0,1%.

3 – Importação de “Vestuário” e suas componentes
As importações de “Vestuário” dividem-se em partes praticamente iguais por “Vestuário de malha” e “Vestuário não de malha”.

Entre 2000 e 2016 as importações de ambas as componentes cresceram à taxa média anual de +3,8%. 


Entre o “Vestuário de malha” destacaram-se, em 2016, as importações de “Camisolas e pull-overs, cardigans e coletes” (23,2%), de “T-shirts e camisolas interiores” (21,9%), e de “Fatos, conjuntos, casacos, vestidos e saias, entre outros, para senhora” (12,3%). Seguiram-se as “Camisas para homem” (6,3%), as “Meias-calças e meias, incluindo para varizes” (5,0%), as “Combinações, calcinhas, roupões e robes, entre outros, para senhora” (4,8%), o “Vestuáro e seus acessórios para bebés” (4,6%), os “Fatos, conjuntos, casacos, calças e calções, entre outros, para homem” (3,8%), os “Camiseiros e blusas para senhora” (3,5%), as “Cuecas, ceroulas, pijamas, roupões e robes, entre outros, para homem” (2,9%) e os “Fatos de treino, de macaco, de banho, de esqui, biquínis e calções” (2,8%). Este conjunto de produtos representou 91,3% das importações deste tipo de vestuário em 2016.
No mesmo ano, entre o “Vestuário não de malha” predominaram os “Fatos, conjuntos, vestidos, saias, entre outros, para senhora” (27,3% do total), os “Fatos, conjuntos, casacos, calças e calções, entre outros, para homem” (22,4%), e os “Camiseiros e blusas para senhora” (10,0%). Seguiram-se os “Casacos compridos, anoraques, blusões e semelhantes, para senhora” (7,8%), as “Camisas para homem” (7,3%), os “Sobretudos, anoraques, blusões e semelhantes para homem” (5,5%), os “Soutiens, cintas, ligas e semelhantes, mesmo de malha, para senhora” (5,3%) e os “Fatos de treino, de macaco, de banho, de esqui, biquínis e calções” (5,1%), produtos que totalizaram 90,8% destas importações.
De sublinhar que todos os produtos relacionados, nas duas componentes, apresentaram taxas médias de crescimento anual positivas entre 2000 e 2016.

4 – Mercados de origem das importações de “Vestuário”
O peso das chegadas de ”Vestuário” com origem no espaço intracomunitário no total das importações desceu de cerca de 95,1%, em 2000, para 89,1%, em 2016, logo subindo a quota dos fornecimentos a partir do espaço extracomunitário de 4,9% para 10,9%.

De 2000 a 2016, a taxa de variação média anual das importações a partir dos parceiros comunitários foi de +3,4%, com a dos países terceiros a crescer +9,1%.

Como se pode observar na figura seguinte, o ritmo de crescimento das importações originárias dos países Extra-UE, em particular de 2000 a 2011 e a partir de 2013, foi mais vivo do que o dos fornecedores Intra-EU.

Em 2016, os vinte principais mercados de origem das importações portuguesas de “Vestuário” representaram 98,7% do Total. A primeira posição, a grande distância dos restantes fornecedores, foi ocupada pela Espanha (1,1 mil milhões de Euros), seguida da França (202 milhões), da Itália (182 milhões), da Alemanha (97 milhões) e da China (92 milhões de Euros).
Com valores ainda de dois dígitos alinharam-se os Países Baixos, o Bangladesh, a Bélgica, a Índia, o Reino Unido, a Croácia, o Paquistão e Marrocos. Menos expressivas foram as importações provenientes de Cabo Verde, da Suécia, do Brasil, da Grécia, da Hungria, da Turquia e da Irlanda.

5 – Exportação de “Vestuário” e suas componentes
Na exportação de “Vestuário” predomina o “Vestuário de malha”, que em 2016 representou 68,0% do Total.


Após um decréscimo significativo das suas exportações entre 2000 e 2009, o “Vestuário” inverteu essa tendência, recuperando em 2016 praticamente o nível que detinha em 2000, para o que contribuiu decisivamente o “Vestuário de malha”.

Entre o “Vestuário de malha” destacam-se, em 2016, as exportações de “T-shirts e camisolas interiores” (39,6% do Total), seguidas das “Camisolas e pull-overs, cardigans e coletes (15,6%), dos “Fatos, conjuntos, casacos, vestidos e saias, entre outros, para senhora” (13,0%), e das “Meias-calças e meias, incluindo para varizes” (6,7%). Com menor peso alinharam-se depois os “Camiseiros e blusas para senhora” (4,5%), as “Camisas para homem” (4,4%), o “Vestuário e seus acessórios para bebés” (3,5%), os “Fatos, conjuntos, casacos, calças, entre outros, para homem” (3,5%), as “Cuecas, ceroulas, pijamas, roupões e robes, para homem” (2,0%), e as “Combinações, calcinhas, roupões e robes, entre outros, para senhora” (1,8%).
Estes produtos representaram, no seu conjunto, 94,6% das exportações totais neste ano.
Na componente “Vestuário não de malha” salientam-se as exportações de “Fatos, conjuntos, casacos, calças, calções e outros, para homem” (29,2%), de “Fatos, conjuntos, casacos, vestidos, saias e outros, para senhora” (27,0%), de “Camisas para homem” (12,0%), e de “Camiseiros e blusas para senhora” (10,4%). Seguiram-se os “Fatos de treino, de macaco, de banho, de esqui, biquínis e calções” (6,5%), os “Soutiens, cintas, ligas e semelhantes, mesmo de malha” (3,3%), e os “Sobretudos, anoraques, blusões e semelhantes, para homem” (3,2%).
 Estes produtos representaram 91,6% do Total em 2016.

6 – Mercados de destino das Exportações de “Vestuário”
De acordo com estatísticas do “International Trade Centre” (ITC), consentâneas com as do INE no caso de Portugal, o país terá ocupado em 2016 a 21ª posição entre os principais exportadores mundiais de “Vestuário”, com uma quota de 0,8%.

O peso relativo das exportações de “Vestuário” para os países comunitários e países terceiros em relação ao Total apresentou alguma estabilidade ao longo do período 2000-2016.
No mesmo período foi nula a taxa de crescimento médio anual das exportações para o espaço comunitário, com as exportações para os países terceiros a decrescerem à taxa média de -0,6% ao ano.


Tendencialmente decrescentes entre 2000 e 2009, as exportações para o espaço Intra e Extra-UE recuperaram a partir de então, tendo estas últimas praticamente atingido o nível que detinham em 2000.

Desde 2001 que a primeira posição entre os mercados de destino das exportações portuguesas de “Vestuário” é ocupada pela Espanha, que absorveu 44,1% do Total em 2016. Seguiram-se, neste ano, a França (12,9%), o Reino Unido (9,2%), a Alemanha (8,6%), os Países Baixos (4,0%), a Itália (3,8%), os EUA (2,8%) e a Suécia (2,5%). Com pesos inferiores alinharam-se a Bélgica, Dinamarca, Áustria, Suíça, Angola, Tunísia, Finlândia, Irlanda, Hong-Kong, Noruega, Emiratos e China. Este conjunto de países representou 97,1% das exportações totais em 2016.


        16 de Dezembro de 2017.